pandemia do coronavírus não foi desculpa para a turma de uma banda marcial de Viamão deixar de lado uma competição nacional. Mesmo sem ensaiar juntos desde que o distanciamento social virou uma rotina, em março, o grupo abraçou o convite para um campeonato online e acabou levando quatro troféus de primeiro lugar para casa – foram quatro categorias vencidas entre as seis do evento.

Formada por alunos de diversas escolas do município da Região Metropolitana, a Banda Comunitária Viamão (BCV) surgiu em 2016. O pontapé inicial foi na Escola Municipal de Ensino Fundamental Alberto Santos Dumont, uma das cinco instituições municipais onde o professor Éwerton Souza, 24 anos, dá aulas de música. Com a banda marcial formada lá, a ideia era participar de competições, mas isso não foi autorizado. Então, para representar o município, Éwerton montou a BCV com jovens de várias instituições, mas sem ligação direta com alguma escola específica.

– A prefeitura não permitiu que participássemos como escola, então, os próprios pais nos incentivaram a fazer a banda de maneira independente. Nas primeiras competições, usamos os instrumentos emprestados da escola. Depois, fomos conseguindo os nossos – recorda Éwerton.

Com a popularidade da banda, mais pais procuraram a turma para matricular os filhos. E esse empenho logo resultou em ações como a venda de rifas, que tiveram seus valores revertidos para a compra dos instrumentos próprios da banda comunitária. Hoje, conforme Éwerton, são 48 membros integrando a BCV, com jovens de várias regiões de Viamão e alguns até da Capital.

No início de 2020, com a retomada dos ensaios, até um espaço foi alugado no bairro Índio Jari, sede da banda, para comportar todos. Porém, a diversão mesmo era quando os ensaios ocorriam na praça do bairro, em frente ao local alugado. Só que a pandemia do coronavírus mudou todo este cenário. Com o distanciamento social e a necessidade de se prevenir do coronavírus, os encontros foram suspensos.

Em casa desde o primeiro trimestre, a turma não tinha muitas atividades para realizar além de pequenos treinos para não perder o compasso com seus instrumentos. Porém, há pouco mais de um mês, os alunos foram surpreendidos quando o professor Éwerton veio com uma proposta diferente: participar uma competição online.

– Como já participamos de diversos eventos, quando há alguma iniciativa, acabamos sendo convidados. Foi o que aconteceu neste caso. O campeonato foi organizado por uma associação de Santa Catarina – explica Éwerton.

Ensaios individuais e gravação em casa de participante

O 1º Campeonato Brasileiro Virtual de Bandas e Fanfarras foi feito de forma totalmente a distância. De cada cidade, as bandas enviaram os vídeos correspondentes às categorias participantes. E por meio dessas gravações, os trabalhos foram avaliados. Quem organizou a competição foi a Associação de Bandas Marciais e Fanfarras do Estado de Santa Catarina (Abanfaesc). No total, o evento teve seis categorias competitivas. A BCV venceu em quatro.

O desafio maior para os jovens foi ensaiar separadamente. Cada um na sua casa, eles recebiam as lições do professor e se preparavam para o dia da gravação. Na data, inclusive, não foram todos os membros da banda que compareceram. Apenas 10 alunos se encontraram para registrar a apresentação competitiva.

– Usamos máscaras, mas também respeitamos o distanciamento para as gravações. Foi tudo feito com muita segurança – explica o professor.

A gravação ocorreu na casa de uma das alunas da banda, a estudante Monique Fonseca, 16 anos. Integrante da BCV desde 2017, Monique conheceu o projeto por meio das aulas de música que Éwerton ministrava na sua escola. Hoje, ela toca escaleta, lira e pratos. Para a jovem, a participação foi um momento de fazer algo diferente em meio à rotina do isolamento:

– Achei bem legal. No momento que estamos passando, é difícil achar coisas diferentes para fazer. Participar foi uma ótima oportunidade, vencer em várias categorias foi ainda melhor.