Depois da divulgação da licitação da Secretaria de Educação do Estado, que pretende investir R$ 30,9 milhões em instrumentos musicais, como guitarras elétricas, baterias, violão, teclados eletrônicos, baixo, violino, violoncelo e viola, clarinete, flauta doce, saxofone, tuba, xilofone, lira.

Estão inclusos também equipamentos de apoio como afinadores e suportes para os instrumentos, alguns parlamentares da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que fazem oposição ao governo, acharam um absurdo, pois acreditam que esse dinheiro poderia ser mais bem empregado nesse momento de pandemia.

Um dos deputados estaduais contrários a essa compra foi Ivan Naatz, do PL, que fez um vídeo indignado com o gasto desse montante para a compra de instrumentos musicais. Segundo Naatz, “o estado passa por uma crise sem precedentes, as pessoas desempregadas, o país enfrentando um momento financeiro difícil e o governador Carlos Moisés vai comprar R$ 30,9 milhões em equipamentos musicais, é inacreditável a falta de senso de percepção desse governo”.

Depois da postagem do vídeo nas redes sociais, Whashington de Oliveira Souza, presidente da Liga Brasileira de Bandas e Fanfarras, publicou uma carta aberta de congratulação e apoio a Carlos Moisés (PSL) parabenizando o governador pela abertura da licitação para a compra dos instrumentos.

Na carta, ele escreve que “pessoas como o governador Moisés são referências nacionais investindo em cultura, com ênfase no movimento de bandas e fanfarras, criando nos jovens do ensino fundamental e ensino médio a possibilidade extracurricular de aprendizagem, socialização, civismo, profissionalização, ética e cidadania”.

Na mesma carta Whashington diz repudiar a atitude da Assembleia Legislativa de Santa Catarina pela falta de visão de alguns deputados, “insensíveis aos benefícios que esse projeto de aquisição dos instrumentos irá trazer para a vida estudantil de curto e médio prazo”.

Já Sérgio Pacheco, que é o presidente da Associação de Bandas e Fanfarras do Vale do Itajaí (Abafavi), também emitiu uma carta, aí diretamente ao deputado estadual Ivan Naatz, dizendo estar indignado e triste pela atitude em plenário do deputado do PL, pois a Associação, em conjunto com a Secretaria de Educação do Estado e com o professor Rafael Haskel, do Instituto Estadual de Educação, trabalhou para a realização desse projeto que, segundo ele, vai beneficiar milhares de estudantes da rede estadual e também muitos músicos que serão contratados para ensinar os alunos.

Ele destaca também que há mais de uma década a categoria não recebe nenhum investimento para a aquisição de instrumentos e materiais pedagógicos e que, no âmbito político, a cultura parece não ter importância para os deputados de Santa Catarina.

A Abafavi também criou um abaixo-assinado online para que as pessoas favoráveis a aquisição de instrumentos musicais para as escolas estaduais de Santa Catarina possam manifestar apoio a continuidade do processo de licitação e que mostrem aos deputados que “zombaram do projeto no plenário da Alesc” o impacto que a aquisição terá na vida dos alunos e de seus familiares.

Já os deputados estaduais, que se posicionaram contra a abertura dessa licitação, dizem não ser contrários a investimentos futuros nas bandas e fanfarras das escolas estaduais de Santa Catarina, mas acreditam não ser este o melhor momento para tirar R$ 30,9 milhões dos cofres do governo para investir em algo que pode ser feito no início de 2021, quando o pior da crise da Covid-19 já tiver passado.