Os desfiles cívicos, na imensa maioria, comandados por escolas, retratam os sentimentos de patriotismo e cidadania. Protagonistas dessas homenagens, as bandas marciais vivem tempos de resistência.

Tradicionais nos anos 1960, 1970 e 1980, talvez por falta de apoio ou incentivo, as bandas foram pouco a pouco encolhendo. As que ainda persistem tentam resguardar uma tradição que aguça a memória do mais velhos e chama tanta atenção dos mais novos. Especialista em música para Educação Infantil, o professor Éwerton Souza, 23 anos, lembra que Viamão, onde atua, chegou a ter 50 bandas marciais. Hoje, elas estão presentes em apenas cinco escolas municipais e seis estaduais. No ano passado, com os cortes nas verbas do Programa Mais Educação, muitas escolas passaram a encontrar dificuldades para manter os projetos e alguns correm risco de parar.

Perseverante, o professor, que integrou a banda de um dos Institutos Maristas dos 11 aos 17 anos, resolveu criar em 2016 uma banda marcial comunitária.

— O ensino da música na escola é de extrema importância para a formação do aluno. O legado que a banda marcial traz ao aluno é o do trabalho em equipe, ensinando também a ter disciplina, saber o momento de falar, o momento de se expressar e como se expressar — diz Éwerton.

O projeto

Criada em novembro de 2016, a Banda Comunitária de Viamão (BCV) atende 42 crianças e jovens dos sete aos 22 anos. Os participantes da BCV são alunos das escolas municipais Presidente João Goulart, Alberto Santos Dumont, Ricardo Faicker Nunes, Vereador Valneri Antunes e da Escola Jerônimo Porto e das escolas estaduais Setembrina, Farroupilha, Santa Isabel, Almirante Bacelar e Parobé. Desde a formação, participa de campeonatos e desfiles dentro e fora do município.

— Em Viamão, a tradição das bandas marciais vem diminuindo a cada ano, e o nosso propósito é não deixar isso acabar. Acreditamos na música e no patriotismo como uma ferramenta para o desenvolvimento da criança e da construção do caráter dos nossos jovens. A nossa corporação preza muito pela educação, comportamento e parte afetiva, mudando a realidade de cada um de nossos componentes. A nossa ideia é colaborar com a sociedade, formando grandes e bons cidadãos — destacou Éwerton.

Ana Paula Evangelista, 32 anos, mãe da aluna da BCV Amanda Veríssimo, 10 anos, fala da diferença que a a iniciativa trouxe para filha.

— Ela entrou nesse ano e, desde então, melhorou muito nos estudos, acredito que é pelo incentivo que eles recebem — opina.

Desde a fundação, a banda comunitária já ganhou diversas premiações, entre elas, de vice-campeã estadual do campeonato de Bandas da Associação Gaúcha de Bandas (AGB) em 2016 e bicampeã interestadual infantil pela Agência de Bandas e Fanfarras do Litoral Norte do RS  em 2019.

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