História

Quem nasceu e viveu a infância no auge do regime militar sabe bem o que representava o dia 7 de setembro. Os colégios particulares, nas salas de aula havia TV’S penduradas sobre os quadros-negros. Transmitiam mensagens religiosas, informes da diretoria e, vez por outra, propaganda do governo. Havia sempre “hora cívica”. Todos se reuniam no pátio e cantavam hinos em homenagem à pátria, à independência e à bandeira. Lembro-me de matérias como OSPB (acho que Organização Social e Política do Brasil) e EMC (Educação Moral e Cívica). Os desfiles de 7 de setembro eram imperdíveis. O povo se acomodava como podia. Antes do início, músicas nacionalistas e patrióticas. Todos esperavam o desfile. Soldados, marinheiros e aviadores; tanques, blindados e cavalaria; bandas de escolas e esquadrilha da fumaça. Tudo ao som de músicas a nos estimular o orgulho pela nação.

Hoje é assim. Não existe mais o amor à pátria. Transformaram tudo o que representava ordem, respeito, disciplina e hierarquia em “coisa da ditadura”. Montaram bunkers nas escolas, nas universidades, nas redações da imprensa a fim de recontar o passado, patrulhar o presente e emporcalhar o futuro. Conseguiram rebaixar as instituições guardiãs da lei e da ordem (Forças Armadas e Polícias Civil e Militar), enxovalhar a importância dos poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário), destruir o modelo (rígido) de educação escolar, execrar os valores morais e religiosos das famílias, espalhar a cultura do vitimismo e da luta de classes, minar a democracia e alijar o patriotismo do coração e da alma do cidadão.

Nosso Meio

Existe um grande movimento no cenário das bandas e fanfarras antes de 7 de setembro, todos os anos. Escolas, em sua maioria estaduais, formam “às pressas” fanfarras para o desfile cívico militar do dia da pátria. Este movimento finda-se já no dia 8 de setembro, onde grande maioria guarda os instrumentos para um próximo ano. Mas isso realmente ocorre como está sendo comentado? Vamos aos pontos de verificação desta informação:

1) Fanfarras de escolas estaduais: em sua maioria, formadas em 1 mês antes do 7 de setembro, para “empurrar” os alunos que estão marchando, na sua grande maioria, contra sua própria vontade. O que os faz desfilar é pelo “ponto” a mais na média, que ganharão por fazer esta “tarefa”. Nestes casos, como não são exigidas marchas para o deslocamento, monta-se uma fanfarra percusriva, onde o “parará-tim-bum” é o rítmo de marcha utilizado. São instrumentos em latão ou madeira, extremamente velhos, sem conservação, e até instrumentos não utilizados por fanfarras e bandas normalmente, como repiques, surdos, atabaques e treme terras. Um grupo de alunos também fica responsável por levar as bandeiras de todos os estados ou bandeiras diversas, além da nacional, só que de forma completamente errada, sem nenhum conceito ou leitura correta das formas de manuseio e transporte. As pouquíssimas que possuem instrumentos de sopro não fazem melodias e os toques, como são chamados, são sofríveis.
Não há nenhuma intenção destas escolas ou grupos escolares de manter a fanfarra para outras atividades.

2) Fanfarras e bandas “de carreira”: chamamos assim as corporações que já participam, além do 7 de setembro, de festivais e concursos, organizados em cidades e por entidades. No modo geral, estas corporações ficam um pouco deslocadas do sentido do desfile, que é voltado especialmente para o militarismo. Algumas poucas corporações executam dobrados, mas a maioria, com marchas simples e sem apelo à dobrados, fazem o que estãoa costumadas a fazer em campeonatos e festivais. O diferencial nestes casos, por ser um desfile cívico-militar, é a apresentação de corpos coreográficos fugindo do tema do dia da pátria. Repetindo: são raros os grupos musicais que se preparam para executar dobrados e forçar a marcialidade em prol do tema do desfile. A exceção se faz pelas bandas de pelotões das forças armadas e de polícias, tanto civil quanto militar, e guardas de regiões metropolitanas.

Em ambos os movimentos, o que vem se observando há mais de 10 anos é um despreparo das corporações. As fanfarras montadas às pressas são na visão de hoje, o descaso total com a cultura de bandas e fanfarras, extremamente diferente do que conhecemos em campeonatos e festivais. O grande público, atraido pela data cívica, associa em geral o meio de bandas e fanfarras às fanfarras escolares, os pelotões de marcha criados exclusivamente para a data. As corporações também apresentam uma performance média a muito fraca, das que já existem, por saber que não estão sendo avaliadas por uma banca de avaliadores. Num português mais claro, um desfile de 7 de setembro hoje, salvo exceções pontuais, está muito “nas coxas”.

Futuro

Qual seria a saída? As associações de bandas e fanfarras e federações não tem um controle das corporações escolares, ainda mais estas montadas só para o 7 de setembro, pois as mesmas não existem formalmente, não se filiam, não dão continuidade. As que já são filiadas, o fazem também para prover a sua própria existência, seja pelas prefeituras ou órgãos que a mantém, visto que muitas são “extintas” caso não tenham um número ideal para se apresentarem. Uma grande parte dos participantes destas corporações também são “contra” desfilar em 7 de setembro, por alegar que nada se ganha numa apresentação deste porte. E para sacramentar, temos hoje até municípios que simplesmente “cancelam” os desfiles de 7 de setembro por total falta de interesse político-administrativo, e nos dias de hoje, por verbas, mínimas que sejam para a realização de desfiles.

Que este tema seja discutido e estudado. Que trabalhos de bandas e principalmente de fanfarras não sejam “congelados” depois de 7 de setembro e que muitas cidades, as quais sabemos, mantém projetos de musicalização, de ensinamento, de fomento e de continuidade, do movimento de bandas e fanfarras.

Não é só em 7 de setembro, não são apenas em concursos e festivais: é o ano todo, sempre!

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