Com um repertório variado, que vai do clássico à Música Popular Brasileira, a Vibrart é a mais nova orquestra de Niterói e faz sua estreia no próximo dia 31 no palco do Teatro Municipal. A ideia é levar ao público uma experiência musical ao executar “Bolero”, de Ravel; Gonzaguinha, bossa nova, jazz e trilhas de cinema e da Broadway.

Sob a regência do maestro Paulo Guarany, 67 músicos vêm ensaiando no Canto do Rio desde setembro, semanalmente, para a première. A criação da orquestra faz parte de um projeto cultural maior desenvolvido há dois anos pelo empresário Fernando Jardim e pela gestora cultural Renata Palmier: o Instituto Vibrart.

A ideia do instituto é, futuramente, oferecer aulas de música, dança e formação de especialistas em montagem de grandes espetáculos, como profissionais de produção, som, iluminação e mixagem. Jardim explica que a orquestra de músicos profissionais e semiprofissionais, pedra fundamental do projeto, vem preencher uma lacuna na cidade.

— Vimos que Niterói não tinha uma orquestra oficial da cidade. A da UFF é federal e, para tocar no grupo, é preciso que o músico seja concursado; a Orquestra de Cordas da Grota é voltada para a comunidade; e a orquestra do Projeto Aprendiz, vinculada à prefeitura, é voltada para estudantes da rede pública — lista Jardim. — Fica então essa lacuna entre uma orquestra profissional e duas com espectro social. Nesse meio-termo, reunindo profissionais e semiprofissionais, não tinha.

O empresário explica que a Orquestra Vibrart não é para iniciantes e admite músicos de qualquer origem, incluindo integrantes da Grota e do Aprendiz. A maioria do grupo, que trabalha de forma voluntária, é de Niterói e tem entre de 17 e 66 anos.

Paixão transformadora

Niteroiense, Jardim morou durante 30 anos nos Estados Unidos, trabalhando com produção de grandes eventos, envolvendo artistas premiados e indicados ao Grammy. Em 2013, ele voltou ao Brasil com a intenção de expandir os negócios que tem lá fora, mas mudou de planos quando começou a receber aulas de oboé no Conservatório de Música da Rua São Pedro, no Centro.

— Sempre soube que me aposentaria aqui. Voltei com a intenção de investir na vida noturna porque tenho boates e trabalho com eventos nos Estados Unidos, mas como o momento do país não estava propício, resolvi esperar e, nesse meio tempo, comecei a aprender oboé, fiz muitas amizades e me apaixonei por esse universo da música clássica. Já era fã do estilo desde criança, mas nunca tive a oportunidade de aprender um instrumento — conta o empresário, que afirma não ter pretensão de tocar tão cedo na orquestra. — O oboé é um instrumento muito difícil. Daqui a uns seis anos quem sabe.

Com carta branca para montar o repertório da orquestra, o maestro Paulo Guarany — que antes da Vibrat regeu a banda da Marinha e criou uma orquestra em São Gonçalo — diz que o público que for à première vai presenciar um verdadeiro show. Diferentemente de uma orquestra sinfônica, a Vibrart inclui, além dos instrumentos tradicionais da música clássica, bateria, vocal, sessão de percussão (marimba, atabaque e bumbo), dois teclados e gaita de fole.

— A orquestra tem sido uma coisa bem nova até para mim. É um pouco erudita e um pouco popular. O repertório tem de tudo e veio para ficar — atesta Guarany, formado pela UFRJ e professor da Escola de Música Villa-Lobos. — Quando o Fernando me chamou, ele deu a diretriz que não queria uma orquestra que tocasse só erudito, mas me deixou livre para montar o repertório. A ideia é ser diferente e agradar a gregos e troianos.

Amigos da orquestra

Amiga de infância de Jardim e sócia no instituto, a gestora cultural Renata Palmier leva ao projeto sua experiência à frente da coordenação da Sala de Cultura Leila Diniz, da Imprensa Oficial. Ela explica que, hoje, Fernando Jardim investe, mensalmente, cerca de R$ 30 mil na orquestra, para ajuda de custo dos músicos (que trabalham voluntariamente) e outras despesas. Renata diz que seriam necessários mais R$ 60 mil para pagamentos de cachês.

— Mas vamos nos inscrever em todos os editais possíveis. Demos entrada num projeto na Secretaria Estadual de Cultura e conseguimos uma emenda parlamentar, mas ainda está tudo em fase de projeto.

Para assistir à première o público deverá doar o valor mínimo de R$ 20 através do site da Vibrart (vibrart.com.br). Ao se cadastrar e fazer a doação, o espectador se torna parte do grupo Amigos da Orquestra Vibrart, podendo colaborar mensalmente para a sua manutenção, com direito a abater o valor no Imposto de Renda, já que o Instituto Vibrat é uma organização não governamental.

— É uma maneira de ter receita e ajudar a manter a orquestra — explica Renata.

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